quarta-feira, janeiro 3

Onde é Que Estavas no Intervalo das 10?



Pois é, David, já lá vao 10 anos. Nao é brincadeira... Mas enfim, se forem passados a rir (e sabemos bem que foram), menos mal. Há-que dizê-lo com frontalidade.

sexta-feira, fevereiro 10

Recomendação

Para além do portugaldospequeninos.blogspot.com, agora a não perder na blogosfera
o new blog, o-espectro.blogspot.com.
A Constança e o Vasco decidiram entrar na liça da blogosfera ... é interessante ter o Pulido Valente a todas as horas, com comentários ainda mais imediatistas e acicatados do que nos vem habituando.


PS: O que se passa na Madeira é uma vergonha, não basta o SR. jardim e os seus correlegionários arvorarem-se como donos da ilha, como agora o grupo parlamentar do PSD Madeira decidiu pedir uma avaliação mental de um deputado do PS ... lamentável. Bem o facto do deputado proponente se chamar Coito Pita, talvez explique alguma coisa.

PC

segunda-feira, fevereiro 6

Soa Mal Mas É Verdade

Após anos de pregação por parte do mundo islâmico para que não tomássemos um punhado de terroristas pelos muçulmanos, eis como estes tomam, com a maior leviandade, um cartoonista por um país, um conjunto de países, um continente, uma civilização. No entanto, sempre me espantou como se passa ao lado do problema talvez mais profundo, que é o da vertigem da globalização, do consumo de informação em massa, ao segundo. Quando um povo não tem preparação para integrar essa informação, a paixão descontrola-se.

Soa mal, mas eu tenho saudades do tempo em que havia mais muçulmanos ignorantes relativamente ao mundo.

domingo, fevereiro 5

O Princípio do Fim ou o Fim do Princípio?

Vale a pena ler o artigo de António Pinto Leite no Expresso "O difícil desafio do PSD", a propósito do futuro do partido. Aí explica que o PS está a tornar-se progressivamente num PSD, quer por força do seu líder, quer por reajuste das bases sociológicas, quer mesmo por causa de Cavaco. São ideias que vale a pena desenvolver.

A personalidade de Sócrates é marcada, transparece autoridade e a autoridade é fundamental para a governação. Não me arrisco a igualar-lo a Cavaco porque a sua arrogância excessiva pode, permitam-me a análise psicológica, ser uma fuga para a frente face a pecados cometidos, mais do que convicção honesta. No entanto, concedo totalmente o benefício da dúvida. De qualquer forma, é ponto assente que é uma voz de comando firme. E essa foi uma característica fundamental do cavaquismo.
Mas a mudança mais interessante, a meu ver, é a da base de apoio sociológico do PS. Para além da função pública, académicos, jornalistas, artistas e intelectuais, o novo PS começa a ocupar também o território tecnocrata e mesmo empresarial. Pouco a pouco, o engenheiro português vai-se identificar com o PS de Sócrates (até porque hoje em dia a engenharia é menos "física" e mais científica) e o empresário, se pequeno agradece a sensibilidade burocrática deste PS, se grande estará por sentro das iniciativas do governo e/ou verá a sua empresa cada vez mais hegemónica (o PS continuará a não ter preocupações com as leis de mercado; a sua visão da economia continuará a ser instrumental, sendo as empresas somente um factor de coesão social). Por outro lado, a facção artística e intelectual é cada vez menor no partido (especialmente agora com o fim do soarismo), tendo já abraçado em parte o BE, mas essa mudança tem hoje muito menos significado político que tinha há 20 anos.
Já o PSD, que perde essa facção tecnocrática e empresarial, corre o risco de ver a sua facção de apoio católico ser cada vez mais apropriada pelo CDS. Talvez não tão cedo, mas com o passar do tempo, daqui a 5, 10 anos. Ribeiro e Castro é um líder "low-profile", mas líderes como Portas, Pires de Lima ou (especialmente) Nogueira Pinto, comparados com Marques Mendes, são capazes de roubar grande parte desse voto ao PSD.
Mais: o PSD assumia-se como o partido "europeizante", pelo que assume a evolução do país e ser-lhe-á mais difícil voltar a pregar um capitalismo popular. Uma liderança inteligente no CDS pode perfeitamente roubar-lhe esse apanágio (afinal, era esse o plano de Portas).
E Cavaco? Cavaco pode muito bem ser, involuntariamente, o motor da mudança do PS a PSD. Será um catalizador das reformas que o governo de Sócrates terá inevitavelmente de empreender. Assim, será mais difícil este PS não "resultar" no plano económico. E o PSD ficará preso entre esse sucesso e o tabu dos despedimentos na função pública (afinal, se o PS resulta sem despedimentos, que era a meta do PSD, porquê escolher o PSD?).
Estes câmbios significariam que o PSD já não seria um partido social-democrata, e estaria em risco mesmo ser popular-democrata. Será provavelmente uma corrida entre o PSD e o CDS, o primeiro para se afirmar como direita, o segundo para se afirmar como não moralista. Aquele que se renovar primeiro e chegar a ser uma direita não moralista, capitalista popular e reformadora do sitema político será o novo partido popular português. Só esse partido será diferente do PS. Ao contrário do que se pode pensar será um grande passo para o PSD "ideologizar-se", já que foi sempre um partido função da circunstância, representando o compromisso. Pragmático, como escreve António Pinto Leite. Mas Portugal mudou, e não basta às novas gerações o "levantar da pobreza", o "caminho para a Europa". Os portugueses estão politicamente mais educados, e esta é a era da televisão, da Internet e aí também que se debatem ideias: convém que estejam bem definidas na bandeira do PSD.
No entanto, o mais importante para o futuro do PSD será redefinir aquela que é a sua base de apoio social. Porque tal como está, aparenta ser um burgo de advogados e economistas. E esse, ouso dizer, é um partido que nunca terá uma maioria absoluta.

sexta-feira, fevereiro 3

Roteiro Televisivo

Deixo-vos aqui, um pequeno roteiro, do melhor que se pode ver na TV em Portugal por estes dias.

Canal1- Bocage ( se bem que de qualidade inferior às séries do Moita Flores, esta série histórica, não deixa de retratar bem uma época do nosso país, e a interpretação do Miguel Guilherme é do melhor que se vai vendo). Além desta recomendo, todos os programas de informação.

Canal2- Para quem for adicto aos Sopranos está em reposição.
SIC- está degradante ( só de pensar que conseguiu os jogos do Mundial......!), bem, aproveita-se o CSI, mas pior do que a primeira versão.
TVI- Las Vegas, à quinta à noite, mas vai muito atrasada face aos episódios da Fox.

RTPN- trio de ataque, terças à noite.
Eurosport- o recente Poker Stars.

AXN- Hospital Central, sábado à tarde.
Fox- donas de casa desperadas, quinta à noite.
Las vegas, de segunda a sexta, à noitinha.

Fox Life- de entre outras, Ally Mcbeal, de segunda a sexta, ao inicio da tarde ou ao fim da noite.
Nip Tuck, domindo de madrugada (também na Fox, sábado de madrugada).
L-World, domingo à noite.
TVE- Informe Semanal, sábado à noite.

Isto é apenas um breve resumo do que poderão ver (não procurei ser exaustivo), porque de certo, existem mais boas propostas a serem consideradas.

PS: canais como SICnotícias ou SportTV são recomendados na globalidade, dada a sua qualidade na respectiva área temática.
Não posso deixar de discordar com o Scrooge, quanto à qualidade da série Grey's Anatomy, a meu ver é pouco mais que mediana, e é superada pela maioria das séries da Fox e da FoxLife, que eu me abstive de mencionar.

PC

E Adiar é Viver

Época de exames. Antes de cada um o medo terrível da incerteza. Nunca se estuda o suficiente. Às vezes não só porque a matéria é extensa. Vivemos num mundo com uma miríade de solicitações e adiar torna-se natural. Há quem goste de trabalhar sob pressão e só assim. "Pressure makes diamonds" dizem os americanos, para quem a pressão é tão natural como o ar que se respira. Mas a pressão pode ser avassaladora e descontrolar-nos, com consequências fisiológicas muito evidentes. O trabalho intelectual não é fácil. É certo que o trabalho físico se torna mais exigente para o corpo, mas a nossa mente pode igualmente desgastar-nos, por vezes mais. Então, se sabemos isso, porque é que continuamos a fazer exactamente o mesmo? Por que não nos organizamos para escapar a essas solicitações? É quase fatídico...

Ao pensar nisto lembrei-me de estas duas citações, do excelente "Grey's Anatomy", série desse magnífico canal Fox Life, que o meu pai insistiu em assinar, sem eu saber remotamente de que tratava. É uma síntese perfeita destes sentimentos, que são imensamente humanos e, por isso mesmo, imensamente comuns.

"A couple of hundred years ago, Benjamin Franklin shared with the world the secret of his success. Never leave that till tomorrow, he said, which you can do today. This is the man who discovered electricity. You think more people would listen to what he had to say. I don't know why we put things off, but if I had to guess, I'd have to say it has a lot to do with fear. Fear of failure, fear of rejection, sometimes the fear is just of making a decision, because what if you're wrong? What if you're making a mistake you can't undo? The early bird catches the worm. A stitch in time saves nine. He who hesitates is lost. We can't pretend we hadn't been told. We've all heard the proverbs, heard the philosophers, heard our grandparents warning us about wasted time, heard the damn poets urging us to seize the day. Still sometimes we have to see for ourselves. We have to make our own mistakes. We have to learn our own lessons. We have to sweep today's possibility under tomorrow's rug until we can't anymore. Until we finally understand for ourselves what Benjamin Franklin really meant. That knowing is better than wondering, that waking is better than sleeping, and even the biggest failure, even the worst, beat the hell out of never trying."

"Maybe we like the pain. Maybe we're wired that way. Because without it, I don't know; maybe we just wouldn't feel real. What's that saying? Why do I keep hitting myself with a hammer? Because it feels so good when I stop."

quinta-feira, dezembro 1

O Passado é um País Estranho (tributo a JPP)

É curioso como o nosso passado nos parece tão distante. E, no entanto, as pessoas são as mesmas. Algo mudou, apercebemo-nos disso. Mas seria assim tanto? Não serão as dinâmicas humanas ainda as mesmíssimas?

Por exemplo, no Salazarismo. Há uma enorme história de clandestinidade (apanágio, de resto, muito português) por descobrir. Há uma história secreta que em grande parte se perdeu para sempre. Mas essa história secreta é a que nos ajuda a compreender a natureza humana na sua imutabilidade. Não só a nível político, como o V Congresso do PCP no Estoril. Há histórias secretas ainda mais secretas - como no caso da sexualidade, já de si dificilmente sondável. Mas não menos apaixonante.

Quais eram as práticas sexuais no Salazarismo? É sabido que as pessoas viviam sob repressão moralista, e podemos cair na tentação de a aliar a uma espécie de força de carácter das pessoas nesse tempo. Mas sabemos que a sociedade era profundamente hipócrita, e escapava a essa repressão moral como podia.

Um exemplo era o chamado Baile da Gravata. Tinha lugar em Viseu nos anos 50 e a sua popularidade chegou ao Porto. Consistia num encontro de rapazes e raparigas em que eles só usavam uma gravata e elas estavam nuas. Só não sei se haveria música... Terão existido eventos semelhantes em Cascais, zona naturalmente mais liberal.

Esta micro-história é só para lembrar a quem acusa hoje os portugueses de "Obsessão da Alcova", que ela sempre esteve aí. Mas escondida.

quarta-feira, novembro 16

1ST Round das Presidenciais

Depois das entrevistas dos 5 candidatos presidenciais à TVI, e numa altura,em que as campanhas já começam a ir para o terreno, está na hora de fazer um primeiro balanço.

De uma maneira geral, pode dizer-se , que a campanha se tem centrado na figura de Cavaco. Não só porque é o único candidato que tem ideias para apresentar ( e falo em ideias que se coadunem com a dimensão constitucional que a figura de Presidente encerra), mas porque os outros candidatos ( talvez com excepção de Alegre), centrem o seu discurso quase na sua totalidade, em Cavaco.

As entrevistas à TVI, lideradas pela frenética, implusiva e desgastante, Constança Cunha e Sá ( é óbvio que o Vasco Pulido Valente não tem comparececido a serviço :) !!! ), acabaram por ser um bom barómetro do que os candidatos propõem, daquilo para que vieram, e daquilo porque nem se deviam ter candidatado.
Procedendo a uma análise geral das entrevistas pode dizer-se o seguinte:
Todos tiveram que lidar com a intratável Costança, e desse ponto de vista a entrevista não foi fácil para nenhum deles. Neste particular quem saíu mais maltratado foi Louçã, que no meio do seu discurco cândido " de que cada um tem os votos que merece", foi completamente arrasado. Louçã está completamente desenquadrado desta disputa eleitoral, só concorre para marcar terreno, e tenta passar a mensagem do BE. Esquece-se, que as legislativas já passaram, e os sound bites que amiude utiliza,começam inexoravelmente a soar a um dejá vue que a pouco e pouco vão perdendo eficácia. Louçã, não tem a miníma apetência para o cargo, mas isto também não lhe importa. Mas desta vez, a sua interlocutora desmontou-lhe o seu ar franciscano, dando largas ao vox populi daqueles que o consideram " evangelizador" ou " falso moralista". A dado ponto Louçã, ainda tentou dar a volta ao texto, questionando com pertinência " que não dava para perceber como o PS apresentava 2 candidatos", ao que levou como resposta " eu também não percebo porque o BE tem um". A entrevista não correu bem, e a sua campanha ainda é incipiente, visto como é normal, estar absorvido pelas suas funções de deputado na discussão do orçamento.
Quanto a Jerónimo, talvez tenha sido o que a prestação foi melhor do ponto de vista da mensagem a transmitir. A jornalista, apercebendo-se do mais do mesmo que a sua candidatura representa, nem se deu ao trabalho de ser muito incisisva. Pessoalmente penso que, passado que está a recente subida à liderança do PCP, Jerónimo já esgotou o seu efeito. Ainda para mais, o discurso não muda, é do género cassete estragada. Podia inovar. Mas não. O mundo evoluiu, já passou para o cd, mini cd, dvd, mas ele continua na cassete. E mantém aquele hábito irritante de em cada 5 palvaras, 3 delas serem " camaradas", " trabalhadores" e "capital". Mais um a marcar terreno e sem hipóteses.
Quanto a Manuel Alegre, foi sem dúvida a pior entrevista dos 5 candidatos. Uma entrevista vazia de conteúdo, sem ideias, onde por diversas vezes caíu em contradição, umas motivadas por lapsos seus, outras graças aos artigos que a sua mandatária Inês Pedrosa se encarrega de ir espalhando pela imprensa, tanto faz que seja na Mulher Moderna ou no Expresso, ela não se cansa. E depois quem paga é o candidato. Manuel Alegre, ainda que sem ideias, foi eleitoralmente inteligente. Não atacou Cavaco " com ele na presidência dormia descansado", apaziguou hipocritamente a sua relação com Soares, e olvidou Louçã e Jerónimo. Passou um mau bocado, " o que pensariam os seus apoiantes se as ideias nacionalistas que assume, fossem propugnadas em campanha por Portas?". Ele não respondeu, mas todos sabemos como seria.
Alegre numa coisa já mudou. Tornou-se mais pragmático. Agora o seu principal objectivo já não é impedir o passeio de Cavaco, mas ficar à frente de Soares.
Quanto a Soares, confesso que me desilude a cada dia. Eu devo ser franco, eu sou daqueles que entre Soares e Alegre não hesitaria em votar Soares, não pelo carácter que Alegre tem e que falta a Soares, não pela rectidão de um e a sobranceria do outro. Unicamente, porque Soares é habilidoso e muda de discurso segundo a função em que se insere, e neste momento que atravessamos não iria levantar ondas. Ao contrário, Alegre, é mais dogmático e ortodoxo, defende tanto aquilo em que acredita, que forçaria uma viragem à esquerda que o país de todo, não precisa, nem suportaria. Voltando a Soares, o HOMEM quer, mas já não dá. Podia ter ficado como referente moral da nação, como figura impoluta da história contemporânea portuguesa, mas decidiu vir fazer estas tristes figuras. A entrevista correu-lhe mal. Fala 90% de Cavaco, as únicas ideias que apresenta é que " sabe ouvir os portugueses", e denota aquele ar triste de personagem enfastiada e zangada, de quem não reconhece que o seu tempo já passou e de que já ninguém lhe faz justiça. Como escreveu, Pulido Valente, com a finura que o caracteriza, ser humanista, "é bom para os termos ao almoço", mas dado o contexto socio-político mundial Soares não é mais do que uma personagem, que já não devia saír dos livros de história.
Quanto a Cavaco a entrevista foi de menos a mais. É o único que apresenta ideias para a função a que se candidata, mostrou o que fez, e o que sabe e pode fazer bem no futuro, mas sempre ( e como compete a um candidato responsável) nos limites e formas conferidas pela Constituição a um PR. Constança tentou o sangue, mas Cavaco não caíu na esparrela. Excusou-se a dizer mal de Guterres, Sampaio ou Santana. Tentou ser hábil porque sabe que pode ganhar à primeira volta. É o único verdadeiramente suprapartidário, e que pode transmitir confiança aos portugueses e ser um factor de estabilidade e moralização da vida pública, como aliás demonstra o seu trablho enquanto PM ao nível da concertação social.
Cavaco mostrou sem margem para dúvidas que tem perfil para o cargo, mas também há que dizê-lo, que a sua noção do que é ser presidente não pode furtá-lo, a responder a determinadas questões, como por exemplo, o que pensa da OTA ou do TGV.
Cavaco tem aquilo que falta aos outros, a sua eleição seria um upgrade para a vida portuguesa, e isso é o mais importante no contexto que hoje em dia vivemos.


PC