sexta-feira, outubro 14

Nobel da literatura?

Ontem, foi anunciado pela real academia sueca, aquele que juntamente com o prémio Nobel da Paz, é o mais importante, o nobel da literatura.
A escolha recaíu no dramaturgo inglês Harold Pinter. Desta vez, a escolha, pareceu surgir nos meios culturais e intlectuais com algum unanimismo.É-lhe reconhecia a genialidade dos diálogos, e a sua imprevisibilidade literária, algo que num dramaturgo é um factor de inegável riqueza e acréscimo de qualidade. Outro factor releva deste inglês de 75 anos. Harold Pinter é daqueles que não escreve muito, mas o que escreve fá-lo bem.
Sem colocar em causa estas referências, que me parecem acertadas, até porque eu sou um leigo na matéria, quero dar ênfase sim, mas a uma outra realidade.
Mais uma vez, o vencedor deste nobel notabilizou-se pelas suas opiniões políticas, tão ou mais conhecidas que os seus textos. Crítico feroz da guerra do Iraque, não se coibiu de criticar abertamente Blair ou invectivar George W. Bush.
Eis que aqui entronca o meu título para este post.
Eu desde já propunha, que o nobel mudasse de nome. Sugeriria algo do género, nobel político-literário.
Se não, vejamos. Que eu me lembre, de há uns anos para cá, não há um vencedor deste nobel que não tenha a sua escrita ou a sua actitude social, marcada por um activismo militante.
Harold Pinter, 2005, contra a guerra do Iraque.
Elfried Jelinek, 2004, contra tudo e todos, contra o mundo e em especial contra o governo austríaco, ela que se designava como uma anti-social. Como curiosidade o facfto de também ser dramaturga, embora não tendo muitos adeptos....... em Portugal, o Bloco de Esquerda adorou.
J.M. Coetzee, 2003, símblo da luta contra o apartheid, na África do Sul
Imre Kértsz, 2002, símbolo da resistência nazi.
E os exemplos recentes podiam multiplicar-se......... até ( o nosso) Saramago, manifestante anti-globalização e amigo de Fidel ( agora parece que já não é tanto, indignou-se porque há uns tempos, Fidel fuzilou uns quantos, pena que o tenha descoberto tão tarde).
Se bem que é normal, que os escritores tenham uma componente ideológica e activista bem vincada, parece-me que o que devia contar era essencialmente a sua escrita e a sua obra.
Porque não voltar aos tempos, em que os galardoados eram um Octávio Paz?
Confesso que com esta tendência já estou a perder a esperança de ver um Vargas Llosa ou um António Lobo Antunes ganharem este prémio.
Então, o Lobo Antunes devia esforçar-se mais. Não basta umas referências episódicas à sua participação na guerra colonial, isso já foi há muito tempo e para Academia não tem importância...
O Lobo Antunes, se ainda o quer ganhar, tem que começar agora a dar-lhes forte e feio!!!!!!!!! Que tal escrever um livro, em que insulte encapotadamente o Bush, que diga que o Blair não é mais que um manequim e uma muleta. Olhe que resulta!!! Se começar agora, entre uma conferência e outra, para o ano é o candidato natural ao prémio........ e depois na hora do anúncio entre um elogio ou outro à sua obra, lá destacaram o combate que se fez às causas da actualidade... o anti-americanismo, o anti-capitalismo, e mais antis porque mais que a escrita o que conta é o combate cívico.

Nota: A Margarida Rebelo Pinto já não tem hipótese! O José António Saraiva que diz que o quer ganhar, agora com a saída do Expresso, desceu na minha bolsa de apostas!

PC