Um Português Satisfeito
É assim que me sinto hoje, um dia depois do anúncio previsível da candidatura de Manuel Alegre a Presidente da República.
Antes de mais sou cavaquista, e é minha opinião que Alegre é o mais duro adversário de Cavaco. Porquê? Primeiro porque Alegre é, em termos de carácter, dos poucos políticos portugueses tão virtuosos como Cavaco, só que de forma diferente. Eu costumo dizer que em cada português vertebrado e brioso existe um Alegre ou um Cavaco (e há aí material para todo um outro post). A questão de seriedade, da pureza política, portanto, não se coloca. Tal já não era verdade para Soares, que nunca foi um republicano tão coerente como Alegre, e o seu perfil caprichoso, egotista e egoísta não recolhe o voto de empatia popular que Alegre ou Cavaco podem recolher. A segunda razão que torna a candidatura de Alegre um desfio a Cavaco é o facto de Alegre, para além de ter já uma maior empatia popular, se assumir como um David, contra os partidos e contra o sistema político. E essa luta desigual, que assenta maravilhosamente no seu perfil vai, a meu ver, render-lhe uma votação superior à de Soares na 1ª volta. Assim pois, será fundamental que Cavaco se apresente a eleições numa cerimónia sem Marques Mendes presente, que escolha um mandatário idóneo e sem cor política, que faça saber que tem o apoio de vários partidos (PSD, CDS, PND, PPM, etc.) e de figuras independentes, e que nunca se cole ao PSD durante a campanha. Só assim Cavaco poderá evitar, como o seu perfil também lhe permite, que o voto de ira contra os partidos recaia somente sobre Alegre. Se conseguir evitar que Alegre fique com esse capital, se lembrar a sua recente postura de distanciamento em relação à política rasteira (e sim, estou a falar do caso Santana Lopes), então não tem que temer Alegre. Se nada disto acontecer, prevejo que Alegre possa mesmo passar à 2ª volta e até ser eleito. É preciso que quem coordenar a candidatura de Cavaco se lembre de chamar a atenção para as diferenças políticas entre os dois, porque entre eles, ao contrário do duelo Cavaco-Soares, já não vale a diferença de carácter. E é preciso que se fale da circunstância das eleições (crise financeira, "polvo" socialista a tomar conta de tudo, etc.), que é claramente a favor de Cavaco.
Mas, dito tudo isto, porque sou eu um português satisfeito? Muito simples. Creio que as hipóteses mais prováveis a Presidente da República são dois dos políticos que mais aprecio. Entre o eterno Cavaco, que é um político sem igual por essa Europa fora, e um Alegre símbolo da portugalidade e da nobreza da camaradagem (especialmente, sem ficar a dever nada ao PS), venha o povo e escolha. Como acho que ambos podem ocupar a função de Presidente, que tem características muito distintas da de primeiro-ministro, serei, nos próximos 4 anos, um português satisfeito. Só falta mesmo acabar com esse pormenor que é Soares.
P.S.: A propósito de Soares, ler o texto de Helena Matos no Público deste sábado: "O homem que passou". Brilhante.
Antes de mais sou cavaquista, e é minha opinião que Alegre é o mais duro adversário de Cavaco. Porquê? Primeiro porque Alegre é, em termos de carácter, dos poucos políticos portugueses tão virtuosos como Cavaco, só que de forma diferente. Eu costumo dizer que em cada português vertebrado e brioso existe um Alegre ou um Cavaco (e há aí material para todo um outro post). A questão de seriedade, da pureza política, portanto, não se coloca. Tal já não era verdade para Soares, que nunca foi um republicano tão coerente como Alegre, e o seu perfil caprichoso, egotista e egoísta não recolhe o voto de empatia popular que Alegre ou Cavaco podem recolher. A segunda razão que torna a candidatura de Alegre um desfio a Cavaco é o facto de Alegre, para além de ter já uma maior empatia popular, se assumir como um David, contra os partidos e contra o sistema político. E essa luta desigual, que assenta maravilhosamente no seu perfil vai, a meu ver, render-lhe uma votação superior à de Soares na 1ª volta. Assim pois, será fundamental que Cavaco se apresente a eleições numa cerimónia sem Marques Mendes presente, que escolha um mandatário idóneo e sem cor política, que faça saber que tem o apoio de vários partidos (PSD, CDS, PND, PPM, etc.) e de figuras independentes, e que nunca se cole ao PSD durante a campanha. Só assim Cavaco poderá evitar, como o seu perfil também lhe permite, que o voto de ira contra os partidos recaia somente sobre Alegre. Se conseguir evitar que Alegre fique com esse capital, se lembrar a sua recente postura de distanciamento em relação à política rasteira (e sim, estou a falar do caso Santana Lopes), então não tem que temer Alegre. Se nada disto acontecer, prevejo que Alegre possa mesmo passar à 2ª volta e até ser eleito. É preciso que quem coordenar a candidatura de Cavaco se lembre de chamar a atenção para as diferenças políticas entre os dois, porque entre eles, ao contrário do duelo Cavaco-Soares, já não vale a diferença de carácter. E é preciso que se fale da circunstância das eleições (crise financeira, "polvo" socialista a tomar conta de tudo, etc.), que é claramente a favor de Cavaco.
Mas, dito tudo isto, porque sou eu um português satisfeito? Muito simples. Creio que as hipóteses mais prováveis a Presidente da República são dois dos políticos que mais aprecio. Entre o eterno Cavaco, que é um político sem igual por essa Europa fora, e um Alegre símbolo da portugalidade e da nobreza da camaradagem (especialmente, sem ficar a dever nada ao PS), venha o povo e escolha. Como acho que ambos podem ocupar a função de Presidente, que tem características muito distintas da de primeiro-ministro, serei, nos próximos 4 anos, um português satisfeito. Só falta mesmo acabar com esse pormenor que é Soares.
P.S.: A propósito de Soares, ler o texto de Helena Matos no Público deste sábado: "O homem que passou". Brilhante.

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