quarta-feira, setembro 28

Uma questão de calendário

Porquê esta pressa do PS, em convocar a todo o custo, o referendo sobre o aborto para o final de Novembro?
O PSD, já deixou claro que aceita o refrendo para depois das presidenciais. Mais, hoje pareceu-me depreender das palavras do lider parlamentar do PSD, que o partido, até nem faz questão que seja o próximo presidente, saido das eleições de Janeiro a convocá-lo. A tarefa de Sampaio parece assim facilitada, marca ele o referendo, deixando assim a esquerda sem o medo de que um hipotético futuro presidente de direita o não convocasse, o anátema desapareceria e finalmente discutir-se-ia com calma e bom senso a questão. E digo discutir-se-ia. E não, como é opinião generalizada, de que se encerraria a questão, porque ao contrário do que muita comunicação social quer fazer passar, a despenalização, não é, nem muito menos, uma questão unanime, nem são favas contadas.
Mas, não! O PS insiste. Qual a razão?
Não me venham com histórias, de que com o adiamento de cerca de 4 meses muitas mulheres entretanto, podiam ser condenadas. Que eu saiba, em Portugal nenhuma está na prisão, além de que os tribunais atendendo à futura realização de um referendo, não se iriam pôr a julgar estas mulheres, correndo o risco de passados alguns dias a decisão, já não ser conforme à futura alteração legislativa.
Então porquê a pressa?
A resposta de tão clara, até seria dispensável. Por e simplesmente, por calendário eleitoral.
O PS teme, que as autárquicas não lhe corram de feição ( e convenhamos que com os candidatos de Lisboa e Porto se pôs a jeito); logo a seguir há apresentação do Orçamento de Estado, que vai manter Assêmbleia entretida até 30 de Novembro; apresentações de candidaturas presidenciais esperadas mas ainda não anunciadas; eleições presidenciais em Janeiro, com alta probabilidade de derrota ( e com 2 candidatos do PS). Ora, um referendozinho pelo meio vinha mesmo a calhar!!!
A malta sempre se entretinha, e entre duas previsiveis derrotas eleitorais, se se ganhasse um referendo não era mau... já no tempo de Marcelo no PSD, os referendos sempre deram jeito.
Na minha opinão, além desta situação não ser sensata, e conhecendo o povo português, só posso qualificar esta manobra como habilidosa e masoquista. Alguém está a ver um português, a ir votar 3 vezes em 3 meses!!! E depois queixam-se da abstenção.
Além do que abstenção, no referendo tem um papel importante, pois este para ser vinculativo necessita mais de 50% de participação. Não é que isto rale muito à esquerda, porque se há 7 anos se queixaram de que o referendo não era vinculativo, se agora ganharem sem a participação constitucionalmente exigida, ou muito me engano, ou a vinculatividade já não vai interessar para nada...
Pois bem, mantendo-se os mesmos pressupostos que justificaram a decisão de Sampaio há uns meses, resta-lhe, se quiser convocar o referendo, que o faça para Abril de 2006. Caso assim não seja, não poderei deixar de ver aí uma mãozinha aos seus camaradas socialistas.

PC